23/03/10

A CAVALO PELAS LINHAS



Venerando de Matos, incansável investigador da nossa História Local e sempre atento ao que por cá se vai passando, deixou estes apontamentos no seu VEDROGRAFIAS. Pela sua actualidade e importância aqui o transcrevemos com a devida vénia e agradecimento.
De notar que inclui a reportagem publicada hoje no jornal PÚBLICO.
Chamamos ainda a atenção para o endereço da organização responsável por este Raid. Vale a pena  visitar: http://www.linesoftorresvedras.com/


Decorreu este fim de semana um raid hipico, percorrendo as Linhas de Torres Vedras, que contou com a presença do descendente do Duque de Wellington.



O Público de hoje inclui uma grande reportagem sobre mais esse acontecimento comemorativo das "Linhas de Torres", cuja reprodução integral incluimos em baixo, como mais um documento importante para este ano do bicentenário:



"A cavalo pelas linhas onde começou a derrota de Napoleão


Lord Douro é descendente directo de Arthur Wellesley, o general britânico que entrou para a história como herói das guerras napoleónicas. No sábado, montou a cavalo e visitou as Linhas de Torres, o palco onde começou a derrota final de Napoleão. Foi uma viagem no tempo.
Por Luís Francisco (texto) e Raquel Esperança (fotografia)


Um general inglês, tropas portuguesas e inglesas, mão-de-obra lusitana. A mais antiga aliança militar da Europa produziu os efeitos gloriosos há exactamente dois séculos, quando a terceira invasão francesa partiu os dentes às portas de Lisboa. Em apenas um ano, a visão de Arthur Wellesley (futuro duque de Wellington) e o suor dos portugueses criaram uma das mais notáveis linhas de defesa da História. Para comemorar o feito, decorre um extenso programa de celebrações, que no sábado passado incluiu a visita de Lord Douro, o descendente directo do homem que travou Napoleão. Tal como o seu antepassado, o nobre britânico montou um cavalo castanho (emprestado por um criador português de cavalos de raça árabe). Ao peito tinha o número 33, exactamente o mesmo do regimento do seu tetravô. E foi assim que largou para o Raid dos 200 Anos das Linhas de Torres Vedras, prova de resistência hípica que juntou algumas dezenas de participantes num percurso pelas fortificações erguidas no início do século XIX e que agora vão sendo recuperadas.

É uma viagem no tempo, um relance sobre o passado que em muito deve às tecnologias do futuro. "Os moinhos dão um jeitão", explica Clive Gilbert, vice-presidente da Bitish Historical Society of Portugal. A paisagem explica o resto: nas ventosas cumeeiras das serras do Oeste alinham-se os ciclópicos moinhos da era moderna, os geradores eólicos. Para os colocar no local e garantir a sua manutenção, os proprietários construíram estradas que rendilham os pontos mais elevados. E foi exactamente aqui que Wellington mandou construir as fortificações das Linhas de Torres.

São, na sua esmagadora maioria, redutos escavados nos pontos mais elevados, protegidos por fossos e parapeitos e munidos de seteiras para permitir a instalação de peças de artilharia. Foram construídos às dezenas (152 no total) num curto lapso de tempo e travaram as tropas napoleónicas lideradas pelo general francês Massena.

As invasões francesas

Um pouco de enquadramento. As ambições territoriais de Napoleão Bonaparte levaram-no a assinar um pacto com Espanha (em Outubro de 1807) e a invadir Portugal, cujo destino seria ser dividido pelas nações conquistadoras. A ideia era isolar ainda mais a Grã-Bretanha, histórica aliada dos portugueses. O primeiro acto foi pouco heróico para as cores lusas: os franceses chegaram, a família real fugiu para o Brasil (levando 15 mil pessoas consigo) e o general Junot tomou as rédeas do país.

Mas então a história começou a mudar. Os franceses não respeitaram a autoridade real de Carlos IV de Espanha e, perante a insatisfação popular, tiveram de concentrar forças no país vizinho. O desembarque em Portugal de Arthur Wellesley e 10 mil soldados britânicos permitiu expulsar os franceses, entretanto já acossados por vários focos de rebelião popular. Era o fim da 1.ª Invasão e a segunda, menos de ano e meio depois, quase não teve história.

Mas em 1810 os franceses voltaram à carga. Desta vez, porém, havia um plano específico para os travar antes de chegarem à capital. Wellington decidiu que as populações das Beiras retirariam das suas casas e propriedades, recolhendo-se a sul das Linhas de Torres. Para trás não deixaram nada que pudesse sustentar as tropas de Massena. A política da "terra queimada" era apenas um dos pormenores da estratégia. Outros eram a formação de linhas sucessivas de fortificações e o estabelecimento de sistemas de comunicação que permitiam saber rapidamente o que fazia o inimigo e movimentar as tropas para fazer face à ameaça.

Começou aqui a ideia de que a informação é poder, um princípio basilar da guerra moderna. O primeiro correspondente de guerra, no sentido mais actual do termo, foi Henry Crabb Robinson, que exerceu a sua actividade para o jornal The Times, primeiro na Alemanha e depois na península Ibérica, incluindo Portugal. Diz-se mesmo que, desconfiando dos relatos que lhe eram fornecidos pelos seus generais, Napoleão tinha espiões em Londres cuja missão era ler os jornais ingleses e reportar ao imperador o que realmente se passava no teatro de guerra...


A história a cavalo

Em Portugal, nos idos de 1810, o que se passava era um jogo de xadrez militar. Wellington organizou a defesa nas Linhas de Torres de forma exemplar. "Era um homem extraordinário", explica Clive Gilbert. "Capaz de ver o quadro geral, mas também de estar atento aos pequenos detalhes."

Clive, um inglês nascido em Lisboa - "sou alfacinha, da freguesia de Santa Isabel" -, fala durante o périplo por várias das fortificações instaladas na região. Mostra como as defesas estavam organizadas em duas linhas sucessivas, mas com alguns fortins pelo meio. "Neste [o número 28, tal como o 29], havia forças preparadas para retardar o inimigo se a primeira linha cedesse, permitindo o reagrupamento das milícias na segunda."

O corpo principal do Exército estacionava por perto, pronto a intervir nos pontos críticos. "As Linhas de Torres eram dinâmicas e essa foi a grande diferença", explica Gilbert. Os generais sabiam sempre o que se passava, porque os postos de observação comunicavam entre si através de um sistema de telégrafo visual (com balões e bandeiras) que utilizava os códigos da Marinha britânica. Um código ainda hoje tão secreto que, ao pedir informações para replicar o sistema no alto da serra do Socorro, as equipas portuguesas receberam apenas dois ou três exemplos concretos de mensagens.

Por esta altura, claro, o descendente de Wellington já não vai a cavalo. Ele cumpriu apenas o sector curto da prova, 20 km por montes e vales, menos de metade do que o grande general palmilhava todos os dias durante a guerra. "Já tinha visitado as Linhas, mas fazê-lo a cavalo é muito especial", assume Lord Douro, enquanto petisca qualquer coisa após a chegada. É por esta altura que lhe dizem que foi o vencedor da competição curta, uma vez que o seu cavalo era o que apresentava melhores índices físicos no final do percurso.

É claro que os outros dois "competidores" se limitaram a fazer-lhe escolta e o ilustre visitante não esconde isso. "Mas eu nem corri... Quem quer que tenha visto a velocidade a que passei percebe logo que não se pode usar essa palavra", graceja. Contou com um cavalo de excelente nível, cujo destino será agora o Qatar. "E era da mesma cor do do meu antepassado, o Copenhagen!"


Uma guerra moderna

"Foi uma sensação fantástica, cavalgar pelos locais onde o meu tetravô andou. Ele não deixou memórias, mas era muito prolífico em relatórios e cartas. Por isso, ao ver esta paisagem, foi como se estivesse a reviver o que ele contava." Bom, com algumas limitações... "Não gostei de ver tantos moinhos; sou a favor das energias renováveis, mas não em paisagens belas e históricas como esta. Na Escócia, acontece o mesmo..."

A boa disposição de Lord Douro (nome que adoptou entre os vários títulos honoríficos da família, retirando o "do" da denominação portuguesa) percebe-se. Quando lhe perguntam se a memória de um herói de guerra como Wellington é um fardo ou uma honra, não hesita: "Não pude escolher de quem descendo. Fiz a minha vida independente disso, nos negócios, na política [foi eurodeputado durante dez anos]. Mas a verdade é que me tem sido proporcionada a possibilidade de visitar e conhecer sítios fantásticos, por causa das homenagens ao meu antepassado."

Sempre com um sorriso para as objectivas dos fotógrafos, o herdeiro de Wellington não se coibiu de brincar com os espectadores que se aglomeravam junto de uma descida particularmente íngreme: "Portanto, vieram até aqui só para me verem cair!" Apesar de já não ser um jovem (fará 65 anos em Agosto), não só não caiu como cumpriu aqueles exigentes (e escorregadios) metros na sela, ao contrário de outros participantes, que desmontaram e levaram o cavalo pela arreata.

É tempo de regressar aos carros e continuar o périplo pelas Linhas de Torres, sempre encontrando pelo caminho alguns dos participantes da prova equestre. Entramos no forte do Alqueidão, onde escavações recentes começam a dar melhor uma ideia do que era este grande reduto a mais de 430 metros de altitude, em linha de vista com a serra do Socorro (395 metros), onde, horas depois, se inaugurou uma réplica do telégrafo visual que tanto ajudou no tempo das invasões francesas. "Belo trabalho dos engenheiros portugueses", realça Lord Douro, perante a velha calçada da estrada militar.

Foi neste e noutros cenários, como as quintas onde se instalavam os generais, que se decidiu a batalha que marcou o fim das ambições napoleónicas de dominar a Europa. Era uma guerra de antigamente. Uma guerra que parava no Inverno. Nessas alturas, os piquetes luso-britânicos e franceses encontravam-se. "Os franceses queriam jornais, os britânicos brandy...", ri-se Clive Gilbert. Já os generais ofereciam-se outros requintes. "Os franceses convidavam os britânicos para assistirem a peças de Moliére em Santarém; os britânicos recebiam os franceses para corridas de cavalos e jogos de futebol [um futebol arcaico, antecessor do actual]."

Era, de facto, uma guerra à antiga. Mas que lançou muitas das bases da guerra moderna. E o seu testemunho jaz, em tantos casos ainda escondido, nas serranias do Oeste. À espera que os portugueses o descubram".

15/03/10

BADALADAS - Texto 47 - 12 MARÇO 2010

A OPOSIÇÃO AO PLANO DE DEFESA DE WELLINGTON


Rui Prudêncio


Apesar da vitória na batalha de Talavera (27-28 de Julho de 1809) Wellington entendeu que o avanço do exército anglo-luso até Madrid era arriscado devido às discrepâncias com o exército espanhol quanto à adopção de uma estratégia comum e à ameaçadora proximidade do exército francês da fronteira portuguesa. Além disso, a diplomacia francesa obtinha mais uma relevante vantagem para Napoleão com repercussões na Península Ibérica. O tratado de paz entre o império francês e o império austríaco (14 de Outubro de 1809) possibilitava a Napoleão a formação de um grande exército de conquista de Portugal. Com a situação militar controlada em Espanha a terceira invasão seria apenas uma questão de tempo.

Neste contexto político-militar Wellington define um plano de defesa de Portugal. O plano visava preservar o exército, evitando os confrontos directos com o inimigo, de resultados imprevisíveis. Objectivando também a defesa de Lisboa, o plano prevê a invasão das Beiras e Estremadura, retirando destas os meios de subsistência ao invasor como parte da táctica da terra queimada e constrói as linhas de defesa de Torres Vedras. As linhas de Torres Vedras articulavam-se com o primeiro objectivo ao servirem de protecção a uma eventual retirada do exército inglês por mar.

O plano de defesa de Portugal foi apresentado em Fevereiro de 1810 aos governadores do reino. Estes concordaram com a sua execução, aparentemente sem qualquer reserva. Contudo, algum tempo depois, verificou-se uma alteração no elenco governativo, com a nomeação do principal Sousa para o governo. Na opinião do principal Sousa, a defesa de Portugal devia fazer-se em território espanhol, por meio de batalha forte e dura ao invasor para impedir a sua entrada em solo português. Estava persuadido que permitir ao exército francês percorrer o país até às linhas de Torres Vedras era condenar a economia agrária e as populações. Obrigar as populações a abandonar casas e propriedades seria não só desmoralizante como lesivo para as finanças do reino, e consequentemente para o exército pela falta de dinheiro e de homens. Pensamento incompatível com o plano de defesa de Wellington que previa a evacuação da população em grande escala e a destruição de culturas e colheitas para retirar abastecimentos ao exército napoleónico.

Outro ponto discordante dizia respeito aos objectivos militares. Enquanto Wellington tinha por objectivo primordial a defesa de Lisboa e a retirada em segurança do exército inglês em caso de retirada, o principal Sousa pretendia a defesa da integralidade do território português através de acções militares em Espanha. Criticava as premissas militares de Wellington interrogando-se retoricamente: «Há de a fuga ser o meio de resistir ao inimigo? Há de ser a ruína das propriedades o meio de defender o reino? Há de Lisboa só considerar-se o ponto a defender em Portugal, e gostosamente hão de os povos danificar as suas fortunas para defesa desta cidade?» . (Arquivo Histórico Militar-DIV-1-14-002-34)

Queixa-se Wellington a 30 de Novembro de 1810 ao príncipe regente D. João que além dos governadores do reino não terem competências políticas nos planos e operações militares, pois só ele era responsável perante o rei português e inglês pela condução do exército anglo - luso, foram, sobretudo devido à oposição do principal Sousa, demorados em tomar as medidas necessárias para dificultar o avanço do invasor e implementar a táctica da terra queimada. Como consequência desta demora, escreve Wellington, «o inimigo há achado na Estremadura todas as coisas que não somente podiam cooperar para o seu conforto, mas até mesmo para a sua subsistência e para os habilitar a manter a sua posição em Portugal» . Em conclusão, o general inglês responsabilizava o principal Sousa pela sorte dos acontecimentos e pedia ao príncipe regente os devidos resultados políticos da sua acção: «Há sido pois a consequência da oposição ocasionada pelo principal Sousa contra as indicadas medidas que elas hão ficado improcedentes, e parte dos territórios de Vossa Alteza Real assim como do seu povo, estão agora suportando vexames e muitos pesados sofrimentos. A influência do principal Sousa se há em uma tal instância manifestado perniciosa e por isto deixo às sábias determinações de Vossa Alteza Real o decidir se acaso será conveniente que esta personagem continue um dos membros do governo» . Porém, o principal Sousa permanece no governo até à Revolução de 1820.

BADALADAS - Texto 46 - 26 FEVEREIRO 2010

O MARECHAL MASSENA

Maria Guilhermina Pacheco


“Guindam-se aos mais altos cargos homens como Massena, contrabandista e estalajadeiro...” Raul Brandão, El-rei Junot


Realmente, poder-se-á perguntar quem foi André Massena, que em 1810 comandou a terceira invasão francesa a Portugal.

Nasceu em Nice, em 1758, o pai era taberneiro. Começou por ser grumete, na marinha mercante, depois alistou-se no exército, mas como era de origem burguesa, não podia atingir o cargo de alferes, demitiu-se, era sargento-ajudante, estava-se em 1789.

Com a revolução, vai aderir à Guarda Nacional e, regressa à vida militar, em 1792, já detém o cargo de chefe de batalhão e, em 1793, era general de divisão.
Conhecido como bom estratega, Napoleão, elogiava-o, dizendo que tinha “...des talents militaires devant lesquels il faut se prosterner...”. (talentos militares, diante dos quais temos de nos inclinar…)
A sua carreira militar não se caracteriza, no entanto, por uma ascensão contínua, terá campanhas vitoriosas, seguidas de períodos de abrandamento ou mesmo paragem.
Entre 1795 e 1799, Massena, combate os piemonteses, os austríacos, tendo alcançado vitórias em Loano (1795) e na campanha da Itália (1797), mas vai ser em Zurique (1799) que consegue uma das suas mais importantes vitórias militares. Como resultado, ganha o cognome de Filho Querido da Vitória e o título de marechal.
Entretanto, em França a cena política sofre mudanças, Massena é republicano, mas não aprovou o golpe de 18 de Brumário, vai apoiar o Império, e passa a fazer parte da lista dos marechais do exército francês, tendo recebido a condecoração da Grã-cruz da Legião de Honra.

Novamente em campanha, trava batalhas na Itália e na Polónia, tendo tido êxito em Essling e Wagram (1809). Teve um acidente, impossibilitando-o de combater, e será durante a sua recuperação que Napoleão o vai enviar como comandante do exército que invadirá Portugal pela terceira vez.
Este exército estava dividido em três corpos, comandados respectivamente por Reynier, Ney e Junot, tinha também, uma divisão de cavalaria comandada por Kellerman, no total eram 65 000 homens, tinha ainda 65 oficiais e 16 ajudantes-de-campo sob as suas ordens.
Em Julho de 1810, o exército francês está perto da fronteira portuguesa. Depois de ocupar Astorga e Cidade Rodrigo, prepara-se para tomar a praça de Almeida, o que consegue devido a uma explosão no paiol, tendo o seu responsável, Costa e Almeida, capitulado.

A 15 de Setembro, Massena inicia a invasão, dirige-se para Celorico da Beira, seguidamente Fornos de Algodres em direcção ao Mondego. Entretanto as populações com medo e recebendo ordens de Wellington, abandonam as suas casas, contribuindo para dificultar o abastecimento ao exército inimigo. Massena vai seguindo para o interior do país as tropas de Wellington, não se apercebendo da estratégia. Encontram-se os dois exércitos em Buçaco, tendo as tropas portuguesas e inglesas lutado tão vigorosamente que os franceses tiveram que retirar, perdendo 4 498 homens.
Massena, no entanto, ansiava chegar a Lisboa, e continuou o seu caminho, indo em direcção a Coimbra que tomou e pilhou, e continuou desconhecendo a existência de fortes defesas: Linhas de Torres Vedras. Aí não teve capacidade para atacar, ficando à espera de reforços, enquanto os seus soldados saqueavam as populações das aldeias mais perto, havendo também grupos de desertores que se organizavam em quadrilhas de ladrões, devastando tudo à sua roda.

Em meados de Novembro, Massena, dá inicio à retirada, tendo seguido na direcção de Santarém, quando a ajuda que esperava chegou, era insuficiente, pelo que o comandante francês resolveu retirar-se para Espanha. O seu caminho de regresso não foi fácil, vários foram os encontros entre os dois exércitos, a retirada tinha-se iniciado a 4 de Março de 1811, e atravessa a fronteira a 8 de Abril, continuando a ser perseguido quer pelos aliados quer por grupos de guerrilhas e de milícias.
O próprio exército francês sofre problemas fracturantes como é o caso da insubordinação de Ney, que não concorda com a estratégia do marechal, tendo sido destituído do seu comando.
Em Espanha travou vários combates, destacando-se o de Fuentes de Oñoro a 2 de Maio, tendo sido posteriormente destituído do seu cargo por Napoleão e substituído por Marmont, duque de Ragusa.

Com as mudanças políticas em França, aceita a Restauração e Luís XVIII, mantém-no como comandante da 8ª divisão militar em Marselha. Morre em Paris em 1817.
Massena distinguiu-se como militar pela coragem, dotes estratégicos e mesmo bravura, mas como pessoa, actuou de uma forma ambiciosa e sem escrúpulos, esquecendo-se muitas vezes da posição que detinha, aproximando-se das atitudes dos seus subordinados. Assim, em 10 anos aumentou sua fortuna pessoal em 40 milhões de francos.
“Em Portugal, deixou um rasto de ruínas e de morte, que ficarão pelos tempos fora, a macular a sua memória e a empanar o lustre que alcançou nos campos de batalha.” (António Álvaro Dória)

11/03/10


Andar a pé e visitar alguns dos fortes das Linhas de Torres Vedras.
Mais uma iniciativa da Comissão para a comemoração dos 200 anos das famosas Linhas.