25/12/09

FORTE DA FORCA

À entrada de Torres Vedras, para quem vem do norte, há uma pequena colina onde se situa o chamado Forte da Forca, uma das 152 estruturas defensivas das Linhas de Torres Vedras, frente ao monte do Castelo.
Do Forte já pouco resta.


Uma parte do fosso


O mesmo troço, visto do lado de dentro do Forte



O espaço interior, com o resto de um través de protecção


Quem está lá no alto e olha para o lado norte, terá agora mais dificuldade em imaginar as tropas francesas acampadas no terreno fronteiro. O que de lá se vê é o "Arena", uma "grande superfície" comercial, para onde convergem milhares de pessoas, sobretudo nos fins-de-semana.




O espaço ocupado pelo que resta do Forte, com o terreno circundante, é bastante exíguo. Sobretudo se pensarmos que para ali se projecta um Centro Interpretativo das Linhas de Torres Vedras.




Antevisão do projecto, recolhido do site do gabinete de arquitectura que o "ofereceu" à Câmara Municipal de Torres Vedras.

É um projecto que consideramos de grande importância para Torres Vedras. Por isso julgamos que deve ser repensado. Será aquele o local mais indicado? O que se pede de uma estrutura deste tipo?
Que custos de construção - e, sobretudo, de manutenção?

16/12/09

INCENTIVO




Recebemos da revista on-line OPERACIONAL uma nota elogiosa que nos honra e incentiva a prosseguir. Sendo nós uma Associação sem fins lucrativos, que vive do amor à camisola de uns poucos entusiastas do Património Local, gostamos de saber que há ressonância do trabalho realizado.
Bem hajam.
Aqui fica a ligação para a bela reportagem fotográfica que fizeram da Exposição sobre as Linhas de Torres Vedras.

11/12/09

PRÉMIO PESSOA 2009


(Foto da revista VISÃO, entrevista de 11 DEZ 2009)

Parabéns ao Comissário da Comemorações dos 200 anos, Manuel Clemente, nosso conterrâneo e bispo da diocese do Porto, pela sua nomeação para o Prémio Pessoa 2009!

09/12/09

BADALADAS - TEXTO Nº 43 - 11 DEZEMBRO 2009





MIGUEL PEREIRA FORJAZ



José NR Ermitão


Quando falamos das Invasões Francesas de que personagens nos lembramos?

Lembramo-nos dos franceses, Napoleão e os generais invasores (Junot, Soult e Massena). Lembramo-nos dos ingleses, Wellington que os derrotou e Beresford que comandou o exército português.

E de que portugueses nos lembramos? Praticamente de nenhum! Não fomos só invadidos pelos franceses e depois dominados pelos ingleses: fomos também esquecidos dos portugueses que tiveram uma acção política e/ou militar preponderante durante esse período. No entanto, a verdade histórica exige que alguns deles sejam retirados do esquecimento; por exemplo, o estadista Miguel Pereira Forjaz (1769-1827).


Militar de carreira, Miguel Pereira Forjaz foi nomeado por D. João em 1807 para a Regência do Reino, cargo de que se demitiu por se recusar a colaborar com Junot. Expulsos os franceses, integrou de novo a Regência do Reino como Secretário dos Negócios Estrangeiros e Guerra – tendo sido no exercício destas funções que se distinguiu, ao proceder à reforma e reorganização do exército português e ao assumir o papel de ligação com os ingleses.

 De imediato há um equívoco a desfazer: costuma atribuir-se a reorganização do exército a Beresford, que assumiu as funções de Comandante em Março de 1809. Beresford foi disciplinador, implantou novas tácticas, reforçou o treino militar, nomeou oficiais eficientes, sugeriu reformas – foi o operacional necessário no momento adequado. Mas já antes, em finais de 1808, Miguel Forjaz tinha iniciado todo o processo de reorganização e reconstrução do exército.

Para isso, ordenou que os militares desmobilizados pelos franceses se apresentassem nos seus quartéis, concedeu perdão aos desertores e chamou às armas os soldados desmobilizados desde 1801. No início de 1809, em resultado de sucessiva legislação da sua autoria:

- estavam definidas as regiões militares do país e nomeados os seus comandantes;

- estavam criados 6 Batalhões de Caçadores; 24 Regimentos de Infantaria; 12 Regimentos de Cavalaria; 4 Regimentos de Artilharia; Corpos de Voluntários em Lisboa, Porto e Coimbra (o Batalhão Académico);

- estavam organizados corpos especiais como o de Engenheiros, o Arsenal Real (produção de armas), o Corpo Telegráfico, a Academia de Fortificações, os Guias do Exército e o Corpo de Informações (com uma bem montada rede de espionagem em Espanha);

- estavam restabelecidos os Regimentos de Milícias (tropa de 2ª linha) e os de Ordenanças (tropa de 3ª linha).

               Como um exército não se improvisa em três meses, havia problemas a nível de oficiais, fornecimentos, armamento, fardamento, disciplina, etc. Mas foi com este exército, entre o apressado e o organizado, que os generais Bernardim Freire e Francisco da Silveira inviabilizaram e derrotaram os planos de Soult (2ª invasão) – antes de qualquer intervenção de Beresford e Wellington.

É este exército, assim estruturado por Miguel Forjaz, que Beresford – ambos sempre em estreita colaboração – vai transformar numa máquina bélica que merecerá todos os elogios de Wellington (que chama aos militares portugueses os “galos de combate” do exército aliado).


Outra das importantes funções de Forjaz - estadista dotado de uma excepcional capacidade de trabalho, determinação e organização - foi a de ser o elemento de ligação entre o comando militar britânico e o governo.

Durante a 3ª invasão apoiou o plano defensivo de Wellington, contra os restantes governadores que preferiam uma acção ofensiva contra Massena. Aliás, Wellington considerou-o como «o único homem em Portugal adequado à função que ocupa» e «como o mais hábil estadista da Península».

Contudo, depois de 1813, com a expulsão dos franceses da Península e o fim de Napoleão, Miguel Forjaz entra em ruptura total com Beresford e os seus planos de reforço militar, que considera desnecessários em tempo de paz. Beresford só permanece porque tem o apoio político da Corte do Rio de Janeiro.

Miguel Forjaz continua no governo até à Revolução Liberal de 1820. Depois disso desaparece da cena política, da história e da memória – até quando?


                                                                                                                                                                                                                      

BADALADAS - TEXTO Nº41 - 13 NOVEMBRO 2009


200 ANOS DEPOIS

J. Moedas Duarte

Como temos referido em diversas circunstâncias, estas não são comemorações festivas, são EVOCAÇÕES de um período especial na nossa História que marcou profundamente a região em que vivemos. São memórias revisitadas, portadoras de traços de identidade e de pertença que persistem no nosso imaginário colectivo. A este propósito o nosso conterrâneo Manuel Clemente, Bispo do Porto e comissário da CM200Anos, escreve no prólogo do Programa Oficial do Município de Torres Vedras :
(…) O que as nossas Linhas evocam ocorre agora, como então, na permanente disposição que temos como povo de garantir a identidade e a liberdade do nosso ser colectivo.

(…) Lembrá-las hoje, na paz europeia de que felizmente gozamos, é evocar todos os que aqui estiveram, dos dois lados das Linhas, quando nós, seus descendentes, nos reencontramos num projecto comum para o Continente e para o Mundo.

Lembrando os de então, abrimos o futuro na solidariedade e na paz.

O vasto programa comemorativo abarca inúmeras e diversificadas actividades que mobilizarão todas as instituições do nosso concelho: autarquias, escolas, associações, criadores de arte… e decorrerão entre Novembro deste ano e o final do ano que vem.
A Associação de Defesa do Património de Torres Vedras intervém activamente nesta evocação de dupla maneira: por um lado, através de um SERVIÇO DE DIVULGAÇÃO HISTÓRICA sobre a Guerra Peninsular; por outro, fazendo parte do Executivo da Comissão Municipal.
No que se refere ao referido SERVIÇO, a sua concretização tem duas fases complementares. A primeira consiste na publicação de textos de divulgação na imprensa regional, com destaque para o Badaladas. Neste jornal, entre 25 de Janeiro de 2008 e 31 de Outubro de 2009, foram publicados 41 artigos de 13 autores, e dois Suplementos de 4 páginas; no Frente Oeste, entre 2 de Fevereiro e 16 de Julho de 2009, foram publicados 24 artigos ilustrados.
Simultaneamente a ADDPCTV mantém actualizado um blogue (http://linhasdetorres.blogspot.com/) onde estão todos os artigos já publicados, bem como uma bibliografia e a divulgação de sítios na internet relacionados com o tema. A divulgação de textos irá prosseguir até finais de 2010, estando prevista a edição de um livro com uma selecção do que foi publicado.
A segunda fase deste SERVIÇO DE DIVULGAÇÃO HISTÓRICA consiste na realização, ao longo de 2010, de palestras sobre a Guerra Peninsular, com recurso a meios informáticos de apresentação, a realizar nos locais que as solicitarem: Associações recreativas, culturais e desportivas, Lares, Centros de Dia, Escolas, Juntas de Freguesia.
Em complemento, a Associação de Defesa do Património irá realizar duas Visitas Guiadas: uma ao concelho de Oeiras, para visitar a mal conhecida 3ª Linha do complexo das três Linhas de Torres Vedras; e outra, a Albuera, em Espanha, local de uma batalha importante, onde a autarquia local tem realizado um bom trabalho de divulgação. Para uma e outra serão abertas inscrições em altura oportuna.
Contactos da ADDPCTV:
Apartado 50, 2564-909 TORRES VEDRAS
Av. tenente Valadim, 17, 2º 2560-275 TORRES VEDRAS.


08/12/09

TESTEMUNHOS







No sopé da Serra do Socorro, entre o Casal Barbas e S. Sebastião,  há duas quintas - Póvoa e Vale do Corvo - que são testemunhas reais e presentes da Guerra Peninsular.
Gonçalo Vasconcellos Guisado, da família proprietária, gere as quintas com elevado sentido da preservação da memória histórica que herdou dos seus antepassados, contemporâneos das invasões francesas.
O sítio Linhas de Torres Vedras dá-nos conta do que por lá se faz e acrescenta muitos dados históricos, gravuras, curiosidades e fotografias que muito nos elucidam sobre aquela época.

06/12/09

VOLTAMOS A FALAR DESTA REVISTA





São 96 páginas de uma revista belíssima que dedica o número inaugural ao tema das Linhas de Torres Vedras. Lemos no seu Estatuto Editorial:

«A revista ITINERANTE defende, através do pedestrianismo, o Turismo Ético e tem por objectivos:
a) promover hábitos de via saudável; b) defender e valorizar o património natural, cultural e ambiental; c) contribuir para o estabelecimento de relações reciprocamente benéficas entre os caminheiros e as comunidades locais.»

Os artigos organizam-se em três núcleos:

                       CONHECER
                           CAMINHAR
                                CONVIVER

No primeiro agrupam-se textos de abordagem histórica, de cariz variado - que vai da produção teórica à entrevista, passando pela resenha bibliográfica e, até, pelo cartoon.
No núcleo do CAMINHAR, encontramos a descrição pormenorizada de sete trilhos de marcha pedestre, para além de dicas e cuidados para a prática das caminhadas , mapas, perfis de relevo, etc
Finalmente, CONVIVER aponta para outras práticas que se adivinham: depois de muito ler e muito caminhar, há que recuperar calorias. Daí o roteiro dos restaurantes e indicações de espaços de lazer.
A organização gráfica é primorosa, a criar enorme apetência para folhear e desfrutar. E parar os olhos nas belas fotos que pontuam toda a revista.
Muitos textos e legendas são vertidos para o Inglês.

Não resistimos a transcrever um parágrafo que nos sensibilizou e que agradecemos:


clicar para aumentar

ITINERANTE é uma revista quadrimestral, com uma tiragem inicial de 10 000 exemplares, que se complementa com um site na internet, também ele de uma grande qualidade: http://www.itinerante.pt/.

04/12/09

ÚLTIMA HORA

ATENÇÃO

A actividade programada, que divulgámos ontem, foi adiada por razões de saúde de alguns intervenientes, conforme mail que acabámos de receber:

«Caros membros da Comissão Executiva,

Vimos por este meio informar que infelizmente esta actividade foi adiada por questões de saúde de alguns elementos do grupo de recriadores.
Assim que a Associação Leonel Trindade nos indicar nova data, voltaremos a divulgar.»

COMEMORAÇÕES




Hoje, na sede da COOPERATIVA DE COMUNICAÇÃO E CULTURA DE TORRES VEDRAS, mais uma iniciativa integrada nas Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.
O cartaz diz  o essencial.
Entrada livre.

01/12/09

ITINERANTE:

Uma nova Revista que veio às Linhas de Torres Vedras

O lançamento foi no passado dia 26 de Novembro, em Lisboa. 
Podemos visitá-la AQUI. Excelente apresentação e conteúdo à altura.
O primeiro número é dedicado às Linhas de Torres Vedras, facto a que não será estranho um dos seus editores, José Constantino Costa, ligado ao ICEA, ser um entusiasta do conhecimento histórico que nos acompanha desde o aparecimento deste blogue, como se pode comprovar no nosso Arquivo.

Texto de apresentação:






Neste primeiro número da revista Itinerante aborda-se o tema das Invasões Francesas, agora que se comemora o seu bicentenário. Ao longo destas páginas é feito o enquadramento para caminhadas em trilhos que passam por zonas que, de uma forma ou de outra, estão ligadas à Guerra peninsular, do norte ao centro do país.


A informação é complementada por este website dinâmico e interactivo, onde se pode fazer download dos trilhos para GPS e partilhar informação e experiências no blogue e em redes sociais.

29/11/09

LÁ FOMOS, À "FEIRA DA MEMÓRIA" NA ASSENTA


Foi na sede da Associação Recreativa e Cultural da Praia da Assenta.
Havia tasquinhas, galinhas, peixe seco, enchidos, toucinho alto e piano de porco, carracenas e arroz doce, um rapazinho a tocar acordeon, vestuários mais ou menos da época ( eram todos antigos...), um frade com ar patibular, um pedinte de sacola, uma cigana a ler a sina e a pedir um real para mandar consertar a carroça e trocar de burro... A um canto dois façanhudos guerrilheiros, atentos, não aparecesse por ali algum "franciu do Jinote".

As fotos só não dizem como foi  o gosto das carracenas molhadas a café das velhinhas...

Aplaudimos a iniciativa. Forma de visitar memórias de tempos passados, quando por cá andaram os invasores de Napoleão...























BADALADAS - TEXTO 42 - 27 NOVEMBRO 2009

MEMÓRIA DO BRIGADEIRO NEVES COSTA


Joaquim Moedas Duarte


No discurso do Presidente da República, Cavaco Silva, proferido em Torres Vedras no dia 11 de Novembro, na cerimónia da abertura oficial das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras, encontramos esta passagem:

«Na cidade que deu nome a esta obra maior de um povo em armas, aproveito para trazer à memória a figura de um grande português.
Recordo um cartógrafo militar de primeira água, que foi vítima de muitas injustiças, e, porventura, da maior de todas: a do esquecimento.
José Maria das Neves Costa foi o oficial do Real Corpo de Engenheiros que procedeu ao levantamento cartográfico em que assentou a decisão, há precisamente duzentos anos, de edificar em tão curto espaço de tempo uma fortificação com aspecto tão imponente e dissuasor. Honremos a sua memória.»

Quem foi Neves Costa?

A investigadora Maria Helena Dias faz um resumo da sua biografia:

«Oficial do Real Corpo de Engenheiros, José Maria das Neves Costa nasceu em Carnide a 5 de Agosto de 1774 e morreu em Lisboa em 1841, provavelmente a 19 de Outubro. Formado na Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho (1793-1796), após os preparatórios na Academia de Marinha (1791-1793), foi premiado e considerado um dos melhores alunos do seu tempo. Engenheiro militar ilustre, destacou-se pelos seus brilhantes e inovadores trabalhos em prol da Cartografia militar, em particular nos levantamentos topográficos e na configuração dos terrenos, para além de ter sido um hábil desenhador. A sua vastíssima actividade neste campo desenvolveu-se durante mais de 40 anos e, apesar de constantemente referida a sua acção ao longo de todo o século XIX, cairia depois no mais injusto esquecimento.»

Sir Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, esteve na região de Torres Vedras em Outubro de 1809, e percorreu a cavalo toda a zona envolvente, procurando estabelecer um plano de construção de linhas defensivas. Dessa observação resultou o memorando que entregou aos seus engenheiros, e a partir do qual se iniciou a construção das fortificações. Wellesley retomava uma velha ideia que já outros militares portugueses haviam defendido e que se baseava na verificação de que a defesa da capital portuguesa apenas teria viabilidade a partir de um conjunto de fortificações situadas a Norte de Lisboa. Junot, na 1ª invasão, pensou o mesmo e mandou fazer estudos preparatórios ao coronel Vincent. E este acabou por se basear no trabalho de dois engenheiros portugueses, Xavier de Brito e Neves Costa.

Com a saída de Junot na sequência da Convenção de Sintra, os trabalhos destes dois engenheiros foram interrompidos. Tempos depois, perante a ineficácia de uma comissão encarregada de os completar, Neves Costa inicia sozinho e com escassos meios, o trabalho de levantamento topográfico da região norte da península de Lisboa, o qual viria a ser a base da planificação traçada pelos engenheiros ingleses para a construção das Linhas de Torres Vedras. Wellington menosprezou a qualidade deste trabalho mas a observação dos documentos que chegaram até nós permite-nos concluir que ele foi decisivo. A atitude grosseira do ilustre general inglês parece ter pesado na injustiça a que foi sujeito Neves Costa, que se reflectiu na progressão da sua carreira militar e respectivos proventos.

É-nos muito difícil imaginar hoje as condições em que Neves Costa trabalhou. Não havia estradas, apenas caminhos pedregosos e veredas lamacentas por onde se transitava a cavalo ou a pé. Fazer o levantamento topográfico de uma área de centenas de quilómetros quadrados, em apenas dois meses e em tão difíceis condições foi uma tarefa hercúlea que nunca foi devidamente reconhecida. Nem quando, alguns anos depois, Neves Costa fez uma longa exposição ao Rei, no intuito de garantir melhor sustento da família. Para tal também terá contribuído a sua acção como deputado e a nomeação para Ministro da Guerra pelo governo liberal, pouco antes da restauração absolutista. Morreu amargurado, aos 67 anos de idade e repousa no cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Deixou uma importante obra no campo da topografia militar, que só nos nossos dias mereceu reconhecimento público com a sua elevação a patrono do Instituto Geográfico do Exército, em 2005.



Para mais informação, ver o opúsculo de Maria Helena Dias, Brigadeiro José Maria das Neves Costa, 1774-1841: patrono do Instituto Geográfico do Exército. [Lisboa]: Instituto Geográfico do Exército, 2005. 16 p.

26/11/09

FEIRA DA MEMÓRIA





Na Praia da Assenta ( freguesia de S. Pedro da Cadeira, do concelho de Torres Vedras) no próximo Domingo, integrada nas Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras.

Para ir até lá: estrada de Torres Vedras (Nac 9) para a Ericeira, desvio à direita depois da Coutada, seguir as placas.

22/11/09

UMA EXPOSIÇÃO A VER






«No âmbito das Comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras ( 1810 - 2010 ), apresenta-se a exposição "Guerra Peninsular 1807 1814", que se divide em 3 núcleos expositivos:

Núcleo 1
Não passarão! A importância das Linhas de Torres Vedras na defesa de Lisboa

Núcleo 2
Invasões francesas: memórias e relatos

Núcleo 3
De Ciudad Rodrigo a Torres Vedras: uma viagem pelas gravuras da época

Relançando um novo olhar sobre a História, (re)visitamos o episódio da Guerra Peninsular, assim como os seus impactos no território nacional, ultrapassando uma visão estritamente bélica dos acontecimentos, mas compreendendo-o à luz da mudança de um paradigma político-social.»

(Texto de abertura do pequeno catálogo da exposição)

A exposição encontra-se no Museu Municipal Leonel Trindade, no Convento da Graça, no centro de Torres Vedras
Horário: de Terça-feira a Domingo. Das 10H00 às 13H00 e das 14H00 às 18H00.
Entrada gratuita

Tem um serviço educativo para actividades infanto-juvenis.

Contactos:
Praça 25 de Abril, Convento da Graça, 2560 Torres Vedras
Tel e fax: 261 310 484
museu@cm-tvedras.pt
http://www.cm-tvedras.pt/
http://www.linhasdetorresvedras.com/

13/11/09




[Clicar para aumentar]


O editorial do semanário regional BADALADAS traz hoje uma referência elogiosa à nossa colaboração sobre o Bicentenário das Invasões Francesas.
É um incentivo que nos honra e que agradecemos.

12/11/09

INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES DO BICENTENÁRIO




Muito curioso foi ver que "ele", deportado para Santa Helena e falecido há 188 anos, ainda ali estava... atento à tropa que passava...







Correu bem, a festa! Foi ontem, 11 de Novembro, Feriado Municipal.
Para ver reportagem completa: AQUI




07/11/09

ESCRITO À MÃO







(Clicar para aumentar)


A obra consiste em 11 poemas, com ilustrações, impressos em cartões separados. O conjunto vem dentro de um envelope cartonado.
Deixamos aqui a reprodução de três desses poemas. De notar que eles foram mesmo escritos à mão pelo autor, sendo a impressão feita a partir desse grafismo. Um objecto artístico que honra as Comemorações dos 200 anos da construção das Linhas de Torres Vedras.

05/11/09

INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES

Recebemos há pouco um CONVITE que tornamos extensivo aos nossos leitores.

É o primeiro evento do Programa das Comemorações dos 200 anos das Linhas de Torres Vedras. Trata-se do lançamento de um conjunto de poemas de Luís Filipe Rodrigues, com ilustrações de José Pedro Sobreiro. Na sessão participará um actor convidado.

Os poemas têm como tema genérico as invasões napoleónicas. A partir de lugares, acontecimentos e figuras da época, o autor procura uma abordagem emotiva, interiorizada, em contraste com o descritivismo patriótico que normalmente se associa aos actos de guerra.
José Pedro Sobreiro acompanha os textos com imagens muito sugestivas, em que se salienta o rigor do desenho e a vivacidade das cores, em fragmentos evocativos da nossa memória colectiva.





C O N V I T E

O Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras

convida V.ª Ex.ª para a apresentação e lançamento de

Escrito à mão duzentos anos depois

de

Luís Filipe Rodrigues

&

José Pedro Sobreiro

que terá lugar no Auditório Paços do Concelho

em Torres Vedras,

Sábado, dia 07 de Novembro de 2009,

pelas 16h00

30/10/09

BADALADAS - TEXTO 40 - 30 OUTUBRO 2009





LINHAS DE TORRES VEDRAS

A DECISÃO DO DUQUE DE WELLINGTON EM 1809


VENERANDO DE MATOS



Em Outubro de 1809, estando o exército anglo-luso acantonado nas margens do Guadiana, Sir Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, deslocou-se a Lisboa e, na companhia do coronel Murray e do tenente-coronel Fletcher, percorreu durante alguns dias os terrenos a norte de Lisboa, deixando instruções para este último, num documento datado de 20 de Outubro de 1809, que ficou conhecido pelo “Memorando Fletcher”.

Do seu conteúdo, entre outras coisas, constava o seguinte:

“O grande objectivo em Portugal é a posse de Lisboa e do rio Tejo e todas as medidas terão de ser dirigidas com este objecto em vista. Existe um outro, ligado igualmente com este primeiro objectivo para o qual devemos também prestar atenção, e que é o embarque das tropas britânicas em caso de revés.
“Qualquer que seja a época do ano em que o inimigo possa entrar em Portugal ele fará o seu ataque provavelmente por duas linhas distintas, uma a norte do Tejo e outra a sul; e o sistema de defesa adoptado terá que levar em conta este facto.
“(...) O objectivo dos aliados deverá ser o de obrigar o inimigo, tanto quanto possível a realizar o seu ataque com o corpo do exército concentrado: Eles deverão ficar em todas as posições que o terreno possa permitir, o tempo necessário para permitir que a população rural local evacue as vilas e aldeias levando consigo ou destruindo todos os meios de subsistência e meios de transporte que não forem necessários aos exércitos aliados; cada corpo do exército deve ter o cuidado de manter as suas comunicações com os outros e a sua distância relativa do lugar de junção”.

As intenções de Wellington, com essa recomendação, foram resumidas por Teixeira Botelho, na sua obra História Popular da Guerra da Península, (Porto, 1915), como a necessidade de “escolher uma posição suficientemente ampla para abrigar todas as tropas, quer da primeira, quer da segunda linha, das duas nações, que lhes permitisse ocupar uma situação vantajosa para cobrir Lisboa, sede dos recursos do país, e que não pudesse ser torneada nos seus flancos pelo inimigo, devendo ter uma comunicação segura com o mar, para permitir o embarque das tropas inglesas no caso de revezes sucessivos as obrigarem a esse extremo”.

Tomada a decisão, Wellington enviou uma carta para o Rio de Janeiro, dirigida ao príncipe regente onde explicava as suas razões no contexto da guerra peninsular que se iniciara um ano antes.
Uma interpretação mais recente (Gastão de Mello de Mattos, “Torres Vedras, Linhas de (1810)”, in Dicionário de História de Portugal, vol. VI, 2ª ed. , pp.180 a 182), questiona a opinião perfilhada pela “maior parte dos autores”, que defendiam “a opinião errada de serem as linhas de Torres Vedras destinadas a proteger Lisboa. Ora a verdade é que o fim das linhas que Wellington mandou levantar só subsidiariamente era esse. O seu projecto de campanha (...) era tornar praticamente impossível a vida de um exército invasor, destruindo ou transportando para outro ponto todas as produções utilizáveis do País. Assim a região escolhida pelos Franceses para seguirem a sua marcha em Portugal tornar-se-ia numa espécie de deserto, em que o invasor não poderia subsistir”. (...) O Governo Português procurou transportar para fora das suas residências os habitantes da zona em que operavam as tropas francesas, mas (...) a evacuação dessas regiões não foi total (…). Por outro lado, como as tropas inglesas tinham, em regra, mostrado fraca capacidade combativa no continente, Wellington procurava evitar uma acção que pudesse tornar-se geral, comprometendo a existência do seu exército, não só por motivos exclusivamente militares, mas também por causa da política interna da Inglaterra, onde existia um forte partido de oposição ao Governo e favorável à retirada das tropas expedicionárias para a sua Ilha.”.
Esta opinião é corroborada por Norris e Bremner na obra The Lines of Torres Vedras, Lisboa 1986, tradução de Thomas Croft de Moura, afirmando que em “Outubro de 1809 o plano de Wellington tinha incluído não mais do que uma linha contínua de obras desde Alhandra, no Tejo, até à foz de S. Lourenço (agora chamado Safarujo), no Atântico, com certos redutos e acampamentos fortificados colocados em frente de Torres Vedras, Monte Agraço, Arruda e outros pontos. Não era intenção ocupar estes reductos permanentemente”, mas apenas “deter e estorvar o ataque do inimigo na linha principal na retaguarda”.
Seja como for, Fletcher, depois de receber aquelas ordens por escrito em 20 de Outubro, dirigiu o início da construção das linhas que se iniciaram em 3 de Novembro de 1809 pela construção dos fortes de S. Julião, Sobral e Torres Vedras.
Desenvolvimento deste texto em:

BADALADAS - TEXTO Nº 39 - 9 OUTUBRO 2009









Exemplo de ambulância móvel concebida por Dominique Larrey



UM CIRURGIÃO NA FRENTE DE BATALHA


DOMINIQUE JEAN LARREY


MANUELA CATARINO



A memória histórica tem por hábito salientar as figuras dos homens decisores das grandes batalhas enquanto outros ficam na penumbra, acabando num maior ou menor, mas injusto, anonimato. O tempo, porém, serena paixões e permite a análise com outra lucidez sobre os factos, acções e personagens menos conhecidas, mas intensamente presentes, no desenrolar dos acontecimentos.

Esta breve introdução permite-nos retomar o olhar sobre um outro lado das campanhas militares que envolveram a França napoleónica e a Península Ibérica no início do séc.XIX, sob uma perspectiva talvez menos conhecida, mas não menos importante para o desenlace dos conflitos – a assistência médica aos feridos, na frente de batalha, protagonizada pelo cirurgião militar Dominique Jean Larrey.

Nascido a 8 de Julho de 1766, em Baudéan (perto dos Altos Pirinéus), segundo filho de um modesto cordoeiro, inicia os rudimentos escolares com o pároco local. Aos treze anos assume o gosto pelos estudos médicos e junta-se ao tio Alexis Larrey, cirurgião chefe em Toulouse. O seu percurso estudantil é notável e cedo recebe as primeiras distinções académicas. Uma breve passagem pela marinha, apesar da riqueza da experiência, não colhe o seu entusiasmo e regressa a Paris. A agitação política que percorre a França galvaniza o jovem Larrey e em 1794, com vinte e oito anos, o posto de cirurgião-chefe do Exército da Córsega irá permitir-lhe travar conhecimento com o igualmente jovem general Bonaparte.

A vida de ambos ficará indissoluvelmente ligada, já que Dominique Larrey estará presente durante mais de vinte anos nas campanhas napoleónicas, suscitando a admiração de todos quantos acompanham a sua acção no campo de batalha, e o reconhecimento do próprio Napoleão.

A obra Mémoires de Chirurgie Militaire et Campagnes, que redigiu entre 1810 e 1812, testemunha de forma eloquente as suas práticas pioneiras nos cuidados médicos de urgência, graças ao sistema, por ele idealizado, das ambulâncias cirúrgicas móveis. Os conhecimentos precisos de anatomia influenciaram a sua decisão em querer alterar o padrão de socorro aos feridos em combate. A prática da cirurgia, na frente de batalha, e a posterior remoção do paciente numa ambulância (ver Fig.1) para local mais seguro permitiu a sobrevivência de numerosos feridos, ainda que por vezes as amputações de membros atingissem números elevados. Contudo, para Larrey, a diferença assentava num humanismo e dedicação desconhecidos no mundo militar – cuidar dos homens, soldados ou civis, independentemente da sua nacionalidade ou posto militar…

Dominique Larrey não esteve em Portugal mas participou na campanha de Espanha, integrado no exército de Murat, como cirurgião-chefe, entre 1808 e 1809. As críticas que faz ao estado deplorável da assistência feita nos hospitais espanhóis leva-o a utilizar as suas “ambulâncias voadoras” para minimizar as baixas ocorridas em batalhas como Burgos ou Somo-Sierra. Mas o seu espírito humanitário vai mais além e, em Valladolid, chega a solicitar a criação de um hospital destinado ao inimigo (espanhóis e ingleses) para tentar irradiar a epidemia de tifo que se propagava rapidamente, e que ditará o seu regresso a Paris.

A estrela de Napoleão vai conhecendo o sentido descendente rumo à abdicação de 1814, mas Larrey só em 1818, com 49 anos, verá terminada a sua carreira militar activa. Sobreviverá a Bonaparte permanecendo seu indefectível admirador, recebendo em troca o elogio que consta do testamento datado de 15 de Abril de 1821 : …c’est l’homme le plus vertueux que j’aie connu.

29/10/09

BADALADAS - TEXTO 38 - 25 SET 2009

A 2ª INVASÃO FRANCESA

PORMENORES IMPORTANTES


José NE Ermitão

Como foi referido no primeiro artigo sobre a 2ª invasão, as instruções do impera-dor francês indicavam claramente que, depois de Soult ter tomado o Porto, os generais Lapisse, estacio¬nado em Salamanca, e Victor, posicionado em Mérida, deviam também invadir o país; o primeiro marchando para Abrantes e o segundo atravessando o Alentejo para apoio à tomada de Lisboa.
Nenhum deles cumpriu as instruções dadas – e podemos interrogar-nos como te-ria sido a 2ª invasão se elas fossem cumpridas! – por falta de comunicação e articulação entre eles e por dificuldades militares, devidas ao estado de contínua revolta dos espanhóis. Mas não só: Lapisse não entrou no território português devido, sobretudo, à actuação da Leal Legião Lusitana.

A LEAL LEGIÃO LUSITANA (LLL)

Formada em Inglaterra por militares emigrados do país durante a 1ª invasão, ao núcleo inicial juntaram-se outros portugueses, sobretudo do Porto, quando foi transferida para Portugal. No quadro da organização da defesa do país, um batalhão com cerca de 1500 homens foi colocado em Almeida, sob o comando de Robert Wilson, com o objectivo de evitar a progressão francesa por esta via.
Internando-se em Espanha até Salamanca e usando tácticas de guerrilha, a LLL paralisou os movimentos de Lapisse durante três meses, flagelando-o continuamente, e cortou-lhe as comunicações com o general Victor. Lapisse acabou por ter de abandonar as posições sem cumprir o objectivo assinalado por Napoleão. De volta ao país, a LLL foi apoiar o exército luso-britânico no seu movimento contra Soult.

WELLINGTON EM ESPANHA

Expulso Soult, a preocupação de Wellington foi impedir que o general Victor invadisse o país pelo Alentejo. Assim, faz descer o exército para Coimbra (finais de Maio) e concebe um plano de campanha assente em três pontos: derrotar Victor, impedir a sua junção com Soult (já à frente de outro exército francês) e avançar para Madrid. Entrega a defesa de Trás-os-Montes a Francisco da Silveira, envia Beresford para Castelo Rodrigo, para lhe proteger o flanco esquerdo, e dirige-se para Talavera de la Reyna onde se reúne com as tropas espanholas do general La Cuesta (21 de Julho).
O primeiro confronto com Victor dá-se a 22 de Julho, mas um desentendimento com La Cuesta não permite continuá-lo e o general francês aproveita para se retirar. Re-gressa no entanto a 25, reforçado com tropas vindas de Madrid, dando-se o com-bate a 27 e 28. Wellington derrota os franceses, embora a vitória seja um tanto ambígua pois vê-se sem condições para a explorar. Não podendo rumar a Madrid, com problemas de aprovisionamento e de relacionamento com la Cuesta, falhando-lhe Beresford na protecção do flanco esquerdo (Beresford demonstra não ser um general de campanha), não tem outra alternativa senão abandonar a posição e regressar a Portugal, por via de Mérida, Badajoz e Elvas.
Entendida numa perspectiva global, pode dizer-se que a 2ª invasão francesa só fi-ca definitivamente resolvida na batalha de Talavera, em finais de Julho de 1809. O general Victor não invadirá o país.

ENTRETANTO O GOVERNO...

Durante este período os governos do Rio de Janeiro e de Lisboa não estão inactivos. No Brasil, a acção política orienta-se no sentido do alargamento do território, com a conquista da Guiana francesa, do desenvolvimento económico e da criação das adequadas instituições administrativas e jurídicas tendentes a fazer do Brasil e do Rio o centro do império.
Em Lisboa, em Março, os governadores ordenam a perseguição aos suspeitos de «francesismo», especialmente os membros da maçonaria, que são presos e colocados em residência fixa, e decretam penas rigorosas para os portugueses que colaborem com os invasores; ao mesmo tempo apelam à população para que se una e lhes resista. Em Abril, convocam todos os portugueses dos 16 aos 30 anos para voluntariamente se apresentarem no exército.
Neste domínio, o militar, é particularmente relevante a acção do governador Mi-guel Pereira Forjaz, encarregado dos negócios da guerra e estrangeiros, a quem se deve, com Beresford, a responsabilidade pela reorganização do exército português.

22/10/09



PROGRAMA INAUGURAL DAS COMEMORAÇÕES DOS
200 ANOS DAS LINHAS DE TORRES VEDRAS


Novembro 2009 a Novembro 2010
Torres Vedras e as Memórias de uma Invasão: Um "Olhar" Entre Linhas e Fortes
Concurso Fotográfico
Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras
Destinatários: Fotógrafos
Concurso que procura evidenciar o impacto das Invasões Francesas e das comemorações num outro tempo, num outro espaço. Uma abordagem livre baseada nas lógicas de reportagem. No final realizar-se-á uma instalação fotográfica referente ao trabalho de campo realizado.
Info e Inscrições: Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, TLF.: 261 338 931/2 ou email: geral@ccctv.org


11 Novembro » Quarta » 16h00 às 19h00
Bicentenário das Linhas de Torres Vedras
Inauguração das Comemorações
Praça 25 de Abril e Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras

Programa
16h00 » Chegada de Sua Excelência o Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva, seguida de Cerimónia Militar, com as respectivas Honras Militares e Homenagem aos Mortos
Praça 25 de Abril » Torres Vedras

17h00 » Sessão Solene de abertura das Comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras, com a presença de Sua Excelência o Presidente da Republica, Aníbal Cavaco Silva
Praça 25 de Abril » Torres Vedras

17h30 » Inauguração da Exposição "Guerra Peninsular (1807-1814)"
Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras

11 Novembro 09 a 30 Novembro 2010 » Terça a Domingo » 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
Guerra Peninsular (1807-1814)
Exposição
Museu Municipal Leonel Trindade » Torres Vedras
O Município de Torres Vedras inaugura no Museu Municipal Leonel Trindade a exposição dedicada ao tema da Guerra Peninsular, renovando o olhar sobre esse assunto com especial enfoque para as Linhas de Torres Vedras.

14 Novembro » Sábado » 22h00
Homens e Armas da Guerra Peninsular
Recriação Nocturna
Bares do centro histórico da Cidade de Torres Vedras
Pequenas recriações nocturnas, junto aos bares do centro histórico, com demonstrações do traje e do armamento.
Info pelo TLF: 261 320 749
Organização: Associação Leonel Trindade


29 Novembro » Domingo » 10h00 às 21h00
1.ª Feira da Memória
Recriação Histórica
Salão da Ass. Recreativa e Cultural da Praia da Assenta » S. Pedro da Cadeira
Feira reportada à época oitocentista com a qual se pretende demonstrar a vivência da época no que respeita a costumes, tradições, gastronomia e vestuário. Poderá ainda visitar pequenas bancas com venda de produtos gastronómicos.
Organização: Ass. Recreativa e Cultural da Praia da Assenta

21/10/09

Foi no dia 21 de Outubro de 1805, faz hoje anos...

O Almirante Nelson comandando 27 navios ingleses, derrotou uma armada franco-espanhola de 33 navios, na batalha do Cabo Trafalgar, na costa sul de Espanha.
A ambição de Napoleão de invadir a Inglaterra por mar ficou aqui definitivamente afundada.
Nelson morreu nessa batalha, atingido pela bala de um atirador isolado. Com ele, mais 1500 ingleses. As baixas do lado francês ascenderam a 14 000 homens e 19 navios destruídos. Todos os navios ingleses regressaram a Inglaterra.



Trafalgar Square, em Londres. Ao meio, a coluna de Nélson, com a estátua do almirante que derrotou os franceses.




Para saber mais:
TRAFALGAR - A Biografia de uma Batalha.
Roy Adkins, Alétheia Editores, Lisboa, 2009. 434 p.
Um bom livro, pela narrativa empolgante, apoiada em documentos, bibliografia e ilustrações deversas. Pena é que a tradução seja descuidada. O original inglês foi publicado em 2004, com o título: Trafalgar - The Biography of a Battle
MUSEU MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS
prepara exposição "Guerra Peninsular" (1807-1814)

No próximo dia 11 de Novembro o Museu Municipal Leonel Trindade inaugura a exposição "Guerra Penínsular" (1807-1814) que ficará patente até Novembro de 2010 e que marcará o arranque das comemorações do bicentenário das Linhas de Torres Vedras.

O programa das comemorações foi ontem apresentado publicamente em conferência de imprensa realizada nos Paços do Concelho, na qual estiveram presentes o Presidente da Câmara, Carlos Miguel e o Comissário para as Comemorações, Manuel Clemente, Bispo do Porto ( natural de Torres Vedras, livenciado em História e investigador da História Local desta cidade).

O programa é muito extenso e diversificado, com actividades que decorrerão entre Novembro deste ano e Outubro de 2010. O seu arranque será no próximo dia 11 de Novembro, Feriado Municipal, e contará com a presença do Presidente da República.

Aqui divulgaremos o programa quando tivermos o suporte informático.

FOI HÁ 199 ANOS...

Venerando de Matos, no seu VEDROGRAFIAS, recorda um documento importante que está na origem das Linhas de Torres Vedras. Começa assim o seu texto:

Em Outubro de 1809, estando o exército anglo-luso acantonado nas margens do Guadina, Wellington deslocou-se a Lisboa e, na companhia do coronel Murray e do tenente-coronel Fletcher, percorreu durante alguns dias os terrenos a norte de Lisboa (1), deixando instruções para este último, num documento datado de 20 de Outubro de 1809, documento que ficou conhecido pelo “Memorando Fletcher”.

15/10/09

UM DIA DE CÓLERA








Arturo Pérez-Reverte escreveu um magnífico livro sobre um dia que ficou para a História da Espanha: o 2 de Maio de 1808. Intitulou-o UM DIA DE CÓLERA. Nesse dia "Madrid foi cenário de uma revolução espontânea". O ressentimento gerado pela presença das arrogantes tropas napoleónicas criou o ambiente explosivo que, a partir de um rastilho, levou à sublevação popular. Sem chefes, desorganizada e caótica, com armas brancas e algumas poucas de fogo, está condenada ao fracasso, face ao melhor exército do mundo. Tanto mais quanto os militares espanhóis, chefiados por gente timorata e subjugada ao poder imperial, se esconde nos quartéis ou reprime, também ela, o levantamento popular porque, em seu entender, não se devia provocar a ira do exército ocupante.

Apenas um punhado de militares de baixa patente, comandados pelos capitães Luis Daoiz e Pedro Velarde, decide apoiar a revolta popular, criando um foco de resistência no parque militar de Monteleón. Duarante muitas horas, com três canhões e alguns fuzis, manterá em respeito as muitas centenas de soldados franceses enviados para os dominar.
Rios de sangue mancharão as Calles de Madrid. Um dia depois, esmagada a revolta, os prisioneiros serão fuzilados numa montanha próxima, cena de horror que Goya registou num quadro célebre que está no Museu d Prado

A esta heróica resistência foi erguida uma memória na Praça 2 de Maio, em Madrid, onde está a placa e o monumento das fotos.

Arturo Péres-Reverte serve-se dos registos, relatórios e relatos diversos que ficaram nos arquivos e faz ressurgir perante nós todo um povo em cólera e desespero.
Da contra-capa: "Um livro que não é ficção. Que não é um documento histórico. É, sim, uma história colectiva feita de pequenos e obscuros casos individuais. Uma história feita de luz e sombra. De pessoas que nada t~em a perder e cuja união gera a cólera de que se faz uma revolução".
Milhares perderam a vida naquele 2 de Maio. Mas eles foram a semente de que germinou o levantamento nacional que garantiu a reconquista da independência nacional da Espanha.

05/10/09

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL EM OEIRAS

Em Oeiras vai decorrer no próximo dia 17 de Outubro (Sábado), uma Conferência Internacional sobre a Guerra Peninsular.
No dia 18 haverá uma visita guiada às 1ª e 2ª Linhas de Torres Vedras e no dia 25 à 3ª Linha.


Para mais informações e inscrições:




http://oeirascomhistoria.blogspot.com/2009/09/encontram-se-decorrer-as-inscricoes.html

21/09/09

RECRIAÇÃO HISTÓRICA EM AMARANTE


Este é o programa comemorativo dos 200 anos da Guerra Peninsular, em Amarante.


Um amigo de longa data enviou-nos algumas fotos que documentam a recriação histórica ali realizada passado dia 18 de Abril.

O nosso obrigado.


















A recriação foi organizada pela Câmara de Amarante, sendo a primeira iniciativa do programa das Comemorações, 2ª invasão francesa, assinalando o episódio de defesa da ponte de Amarante.
Mais informações:

NOTÍCIAS SOBRE AS LINHAS DE TORRES VEDRAS

No seu blogue VEDROGRAFIAS, o sempre atento Venerando de Matos transcreve uma notícia do PÚBLICO sobre as Linhas de Torres Vedras.

Basta clicar na ligação:

http://vedrografias2.blogspot.com/

13/09/09

BADALADAS - TEXTO 37 - 11 SET 2009





A 2ª INVASÃO FRANCESA


DOS ANÓNIMOS AO BRIGADEIRO SILVEIRA

José NR Ermitão


A 2ª invasão teve, em relação às restantes, características distintas: foi de curta duração (dois meses e uma semana); os franceses dominaram uma área exígua (de for-ma firme, o Porto e arredores; de forma incerta, a região entre Douro e Minho); o exército invasor não só foi isolado da retaguarda espanhola (nenhum correio de Soult chegou ao destino) como combatido, desgastado, desmoralizado e algumas vezes vencido por uma feroz resistência de base popular, guerrilheira e militar.
Pela primeira vez, sem ajuda exterior, os portugueses enfrentaram e desgastaram o exército francês invasor – e tão completamente que quando o exército luso-britâ- nico se aproximou, aos franceses nada mais restou senão fugir e rapidamente.



OS ANÓNIMOS


Os populares que, abandonando as povoações, levam consigo os alimentos e as-sim esfomeiam os franceses; os que resistem e morrem na defesa de Braga, na passagem das pontes, no Porto, em Ponte de Lima, em Amarante; os que “a coberto dos ro-chedos e das oliveiras, se infiltravam até... (ao) acampamento (francês) e disparavam sobre as... tendas e... cavalos” (Le Noble); ou o que “cuja coxa lhe foi partida... (e) sem abandonar a arma teve a coragem de, deitado de lado, apontar e matar um graduado... (ou o) ancião de cabelos brancos, entrincheirado atrás de um penedo com uma espingarda... (que feriu) três homens e cinco cavalos... (de Naylies). Os que passam barcos a Wellington para poder entrar no Porto.
Os ordenanças, milícias e soldados que formam o exército português, mal armados, indisciplinados, capazes de disparates mas também de resistir e de derrotar os franceses quando devidamente organizados e comandados. E os que formam as guerrilhas que atacam os correios, os flancos e a retaguarda dos franceses, desesperando-os. Os populares, as “pessoas de bem”, os eclesiásticos e os estudantes de Coimbra...


OS COMANDANTES


Os comandantes militares que enfrentaram e combateram os invasores. O general Bernardim Ribeiro, que impediu Soult de atravessar o rio Minho e que, por considerarar a impossibilidade da defesa de Braga, foi acusado de traidor e brutalmente assassinado pela população e ordenanças desvairados. O general Botelho, que resistiu em Ponte de Lima, tomou Braga e Guimarães aos franceses e, depois, se juntou a Silveira. E outros, até estrangeiros, como o barão de Eben, que conseguiu manter a resistência em Braga durante três dias, e Robert Wilson. Tantos outros...


O BRIGADEIRO SILVEIRA

Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira (1763-1821), a quem o governo nomeou para chefiar a região militar de Trás-os-Montes e cujo exército era uma amálgama de tropa regular, milícias mal armadas, ordenanças desenquadrados e voluntários. Que retira da cidade de Chaves por a considerar indefensável, mas que ataca os franceses em Venda Nova e pouco depois retoma a cidade, impedindo assim as ligações de Soult com a Espanha.
Que, movimentando-se a oeste e a leste do rio Tâmega, enfrenta os franceses, resiste-lhes em Amarante durante duas semanas e, sempre em movimento, reconquista depois Vila Real e combate Loison, perseguindo-o até Guimarães. Que pede socorros a Beresford mas que este não lhe concede. Que combate só com os recursos de que dispõe, às vezes desesperado – “assim um homem só não faz nada”, escreve ele a Beresford – sobretudo depois do que ele sentiu ser uma derrota, a perda de Amarante, mas que foi afinal a sua grande vitória: ter impedido a progressão francesa para leste ao resistir-lhe durante duas semanas.
O primeiro chefe militar português que derrotou exércitos franceses e que, pelas acções posteriores no país (impedindo os franceses de passar o Douro no inverno de 1810/11 e outras) e em Espanha (tomada de Sanábria, batalha de Vitória e batalhas nos Pirinéus), foi reconhecido – pelo nosso governo, pelo espanhol e pelo inglês – como o mais notável general português da Guerra Peninsular. Um tanto esquecido depois: a his-toriografia liberal não lhe perdoará a recusa em aderir à revolução de 1820...
Passados o tempo e os preconceitos é tempo de lhe dar o devido valor.

FORTE DO ZAMBUJAL - MAFRA


Restaurado e apresentado ao público ontem, 12 de Setembro. Notícia daqui e daqui.

30/08/09


30 de Agosto a 4 de Setembro de 2009
Porto
Congresso Internacional da História Militar
Edifício da Alfândega
Integrado no plano das comemorações das invasões francesas da Área Metropolitana do Porto

BADALADAS - TEXTO 36 - 28 AGO 2009





Um outro lado das invasões francesas nas Memórias do marechal Soult

Manuela Catarino


As preocupações de um homem da guerra não se fixam apenas na quantidade de efectivos militares de que dispõe, nem no poder fogo das máquinas bélicas, nem tampouco na estratégia militar a desenvolver. Outros aspectos têm de ser devidamente acautelados, quer no cumprimento das leis a que expressamente deve obedecer, quer nos diferentes componentes da estrutura que chefia.
Esta reflexão surge-nos a propósito de um relato feito na primeira pessoa por uma das figuras da segunda invasão francesa – o marechal Soult – ao lermos o texto recentemente publicado por Livros Horizonte, com introdução e notas de António Ventura, traduzido em português sob o título Memórias do Marechal Soult: Sobre a Guerra em Espanha e Portugal.
Em Fevereiro de 1809 a propósito da sua entrada em Portugal, procurando uma passagem para Chaves, relata ele de forma sucinta: O exército ia-se arriscar por caminhos muito maus onde a artilharia não podia passar. Resignei-me a não levar comigo mais do que uma vintena de peças ligeiras e a deixar o resto, bem como os parques, o hospital e tudo o mais que não podia seguir o exército, num grande depósito que instalei em Tui, sob as ordens do general Lamartinière. Estava decidido a mandá-lo buscar assim que chegasse ao Porto” (Ibidem p.43).
A 12 de Março de 1809, depois da capitulação da cidade flaviense, Soult manda instalar aí um depósito de doentes, sob a protecção de uma pequena guarnição enquanto prossegue a marcha para Braga em situação de combate permanente.
Mais tarde, já depois da ocupação do Porto pelas forças francesas, o próprio marechal justifica a escolha que fizera: Quando este depósito foi criado, para tratar e proteger dos habitantes os nossos primeiros feridos e doentes não transportáveis, a minha única finalidade era conseguir-lhes uma boa capitulação que lhes permitisse juntarem-se-me algures, depois da paz assinada em Lisboa” ( Ib. p.57).
O evoluir dos conflitos, contudo, irá contrariar as suas previsões. Ainda, de acordo com o seu testemunho, virá a saber que esse depósito de doentes, bem como a guarnição de cem homens que asseguravam a sua guarda tinham sido obrigados, após oito dias de bloqueio, a capitular. Muitos desses infelizes tinham sido massacrados no trajecto de Chaves para Lisboa (Ib. p.57)
A atitude dos habitantes de Tui merece-lhe reparo, quando, nas suas palavras, recusaram os bens mais necessários aos doentes (Ib.p56). Aliás é exactamente a vivência dos franceses, aí cercados pelas milícias portuguesas e espanholas, que merecem para Soult, uma descrição mais exacerbada: A situação do depósito era crítica na altura em que o bloqueio foi levantado. Dos 3400 homens que compunham a guarnição apenas sobravam 1500 em estado de prestar serviço. Os hospitais tinham falta de medicamentos, a febre reinava e levava todos os dias vários soldados. Já não havia vinho, dois terços dos cavalos do parque tinham sido comidos. (Ib. pp.55-56).
Melhor destino tiveram os franceses que integravam a retirada das forças em Baltar, quando Soult, tendo no seu encalço os exércitos português em Amarante, e inglês no Porto, se dirige para Montalegre. As ordens do marechal são explícitas: De alvorada, a artilharia estava destruída, todas as bagagens queimadas, as munições de infantaria e os feridos em cima dos cavalos de artilharia […] O ponto mais importante estava alcançado. O corpo de exército todo reunido não deixando nenhum homem para trás. (Ib. p.70)
Parece-nos importante realçar esta última frase do marechal no sentido em que sabemos que durante as campanhas militares a assistência médica imediata nos campos de batalha não é a primeira das preocupações dos estrategos. Moribundos e cadáveres vão juncando os cenários de guerra, abandonados à sua sorte, enquanto que feridos ou doentes, apoiados nos seus camaradas de armas, se arrastam até aos hospitais de campanha. Estes, posicionados em local mais resguardado, nem sempre asseguram as melhores condições médicas e de higiene, e a maior ou menor experiência dos cirurgiões procura milagres para não aumentar a contabilidade das baixas…
Na Península os exércitos napoleónicos contaram, no entanto, com a abnegação e a prática médica pioneira de um homem que passará a ser conhecido como “ Providência do soldado”- o cirurgião Dominique Jean Larrey. Mas, infelizmente para os soldados de Soult, ele não acompanhou a deslocação do 2º corpo da Grande Armée. Dele falaremos no próximo artigo.